Remédios para refluxo podem aumentar risco de demência em 33%. Entenda

Estudo sugere que uso excessivo de remédios para refluxo, conhecidos como IBPs, está relacionado à maior chance de desenvolver demência

atualizado 10/08/2023 14:00

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Imagem colorida de exames no cérebro - Metrópoles haydenbird/GettyImages

O refluxo é caracterizado pelo retorno involuntário e repetitivo do conteúdo do estômago para o esôfago, o que causa sintomas desagradáveis como queimação, dores abdominais, regurgitações e arrotos constantes.

Diante do incômodo, muitas pessoas buscam formas de amenizar o desconforto por meio de remédios. Alguns medicamentos para a azia, porém, podem estar relacionados ao aumento do risco de desenvolvimento de demência, de acordo com um estudo publicado na na revista Neurology nessa quarta-feira (9/8).

Um dos tipos de medicamentos usados para tratar o refluxo são os inibidores da bomba de prótons, também conhecidos como IBPs. Eles são frequentemente relacionados a um maior risco de insuficiência renal, derrame e morte precoce por qualquer doença.

Segundo o estudo, pessoas com 45 anos ou mais que tomaram IBPs para azia por mais de quatro anos tiveram um risco 33% maior de desenvolver demência em comparação a indivíduos que nunca usaram os remédios.

Os pesquisadores identificaram a deficiência de vitamina B12 e a dificuldade no metabolismo da proteína amilóide (relacionada ao Alzheimer) como possíveis relações entre o uso excessivo de IBPs e a demência.

“Alguns estudos mostraram que o uso de medicamentos para refluxo ácido pode estar associado a baixos níveis de vitamina B12. Isso está associado ao pensamento prejudicado e à memória fraca”, diz uma das autoras do estudo, Kamakshi Lakshminarayan, neurologista da Escola de Saúde Pública da Universidade de Minnesota em Minneapolis, por e-mail à CNN.

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Por ser uma doença que tende a se agravar com o passar dos anos, o diagnóstico precoce é fundamental para retardar o avanço. Portanto, ao apresentar quaisquer sintomas da doença é fundamental consultar um especialista
Apesar de os sintomas serem mais comuns em pessoas com idade superior a 70 anos, não é incomum se manifestarem em jovens por volta dos 30. Aliás, quando essa manifestação “prematura” acontece, a condição passa a ser denominada Alzheimer precoce
Na fase inicial, uma pessoa com Alzheimer tende a ter alteração na memória e passa a esquecer de coisas simples, tais como: onde guardou as chaves, o que comeu no café da manhã, o nome de alguém ou até a estação do ano
Desorientação, dificuldade para lembrar do endereço onde mora ou o caminho para casa, dificuldades para tomar simples decisões, como planejar o que vai fazer ou comer, por exemplo, também são sinais da manifestação da doença
Além disso, perda da vontade de praticar tarefas rotineiras, mudança no comportamento (tornando a pessoa mais nervosa ou agressiva), e repetições são alguns dos sintomas mais comuns
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Alzheimer é uma doença degenerativa causada pela morte de células cerebrais e que pode surgir décadas antes do aparecimento dos primeiros sintomas

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Por ser uma doença que tende a se agravar com o passar dos anos, o diagnóstico precoce é fundamental para retardar o avanço. Portanto, ao apresentar quaisquer sintomas da doença é fundamental consultar um especialista

Andrew Brookes/ Getty Images
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Apesar de os sintomas serem mais comuns em pessoas com idade superior a 70 anos, não é incomum se manifestarem em jovens por volta dos 30. Aliás, quando essa manifestação “prematura” acontece, a condição passa a ser denominada Alzheimer precoce

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Na fase inicial, uma pessoa com Alzheimer tende a ter alteração na memória e passa a esquecer de coisas simples, tais como: onde guardou as chaves, o que comeu no café da manhã, o nome de alguém ou até a estação do ano

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Desorientação, dificuldade para lembrar do endereço onde mora ou o caminho para casa, dificuldades para tomar simples decisões, como planejar o que vai fazer ou comer, por exemplo, também são sinais da manifestação da doença

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Além disso, perda da vontade de praticar tarefas rotineiras, mudança no comportamento (tornando a pessoa mais nervosa ou agressiva), e repetições são alguns dos sintomas mais comuns

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Segundo pesquisa realizada pela fundação Alzheimer’s Drugs Discovery Foundation (ADDF), a presença de proteínas danificadas (Amilóide e Tau), doenças vasculares, neuroinflamação, falha de energia neural e genética (APOE) podem estar relacionadas com o surgimento da doença

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O tratamento do Alzheimer é feito com uso de medicamentos para diminuir os sintomas da doença, além de ser necessário realizar fisioterapia e estimulação cognitiva. A doença não tem cura e o cuidado deve ser feito até o fim da vida

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“Este estudo não prova que as drogas para refluxo ácido causam demência, ele mostra apenas uma associação entre a doença e os remédios. Mais pesquisas são necessárias para confirmar nossas descobertas em outros grandes grupos de estudo e entender a possível ligação entre o uso prolongado de inibidores da bomba de prótons e maior risco de demência”, acrescenta Lakshminarayan.

A demência não é uma doença única, mas sim um termo que engloba uma série de comorbidades caracterizadas pelo declínio cognitivo devido a danos cerebrais.

Como foi feito o estudo

O estudo de base populacional contou com 5.712 participantes entre 45 e 64 anos que não sofriam de demência no início do estudo. Deles, mais de 1,5 mil tomaram os inibidores da bomba de prótons e foram acompanhados durante cinco anos.

Após ajustes considerando idade, gênero e etnia, além de fatores de saúde como diabetes e hipertensão, os pesquisadores identificaram que, entre as 497 pessoas que fizeram uso de IBPs por aproximadamente quatro anos e meio, 58 indivíduos desenvolveram quadros de demência.

Por outro lado, entre os 4.222 participantes que não utilizaram os medicamentos, 415 manifestaram demência. Não foi evidenciado um aumento significativo de risco para aqueles que consumiram os remédios por menos de 4,4 anos.

Os responsáveis pelo estudo apontam que o levantamento tem algumas limitações. Os participantes foram questionados sobre o uso dos medicamentos somente uma vez ao ano durante o período de análise, por exemplo. Por isso, caso tenham interrompido ou retomado o uso dos IBPs entre as avaliações, as estimativas podem ser imprecisas.

Além disso, não está claro se os participantes fizeram uso de IBPs de venda livre ou mediante prescrição médica.

“Estudos futuros são necessários para entender possíveis caminhos entre o uso cumulativo de IBP e o desenvolvimento de demência”, destaca a pesquisa.

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